Meu Diário
15/11/2018 18h27
Passear, sair e interagir

 

Se hoje é quinta feira, por mais óbvio e simplório que possa parecer, ontem foi quarta feira. Hoje é 15, ontem foi 14. Pense nisso com mais amplitude. O dia de todos os Santos já passou e nem temos certeza de que no dia 1° de novembro deste mes, talvez e certamente, não há como lembrar o que fizemos durante esse dia. O temível dia 28 de Outubro, o dia em que as urnas poderiam trazer surpresas desagradáveis para uns, e trouxe, mas o medo era o de que  seriam manipuladas, esse dia também já passou. E a copa do mundo de futebol no Brasil? Já vimos a França vencer a seguinte, na Rússia. E o hexa tão esperado ficará para a da Ásia. Ou não. Fico olhando para pessoas que irão passar mais um dia sem saírem de casa, não porque não podem andar ou dependam de outros para se locomoverem, mas porque não querem conhecer gente, não querem falar com gente. Gente é um universo em si. Marco Antonio, imperador Romano da Escola Estóica de Filosofia, dizia que sempre que morre um ser humano é uma perda irreparável, pois deixaremos de conhecê-lo, de saber dele, daquilo que o movia, o inspirava, aquilo que era importante para ele, o mínimo que ele sabia deixou de ser conhecido. Deixamos de interagir com pessoas que só terão a oportunidade de se mostrar se lhes dermos a chance de se comunicarem conosco. Que triste é o desperdício do dia. À noite as pessoas se recolhem à espera de repetir tudo igual no dia seguinte. 


Publicado por LuizcomZ em 15/11/2018 às 18h27
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original ("Você deve citar a autoria de Luiz Antonio de Campos e o site www.luizcomz.com"). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
13/11/2018 14h49
O livro dos amigos e conhecidos - #2

Dani
Um aperto de mão vigoroso. Não fosse pela feminilidade explícita em formas e gestos, diria tratar-se de um estivador, tal a força que impõe às mãos de quem a cumprimenta. O sorriso sempre disponivel e escancarado esconde um passado nada pueril. Desde muito cedo, dos 4 aos 12 ou 14 anos, sofreu constantes abusos sexuais. Todos de pessoas próximas e ligadas à mãe. Eram os namorados, padrastos, irmãos da igreja e os pastores, sim, no plural. Ímpios em pele de cordeiros. Sabedores que a mãe não tinha o devido cuidado com a filha e ainda fazia vistas grossas, sua casa era uma via sacra da pedofilia. Até se dar conta de que aquelas 'visitas' eram anormais, isso só foi ficando claro quando passou a participar de grupos com crianças de mesma idade e que não tinham tido as mesmas experiência que ela frequentemente se deparava, notou que para essas crianças, o assunto era proibido e as mães alertavam para que todo tipo de assédio ou investida, fossem relatadas de imediato a uma pessoa adulta, preferencialmente, mãe e pai. Passou então a indagar da mãe,  que, como na maioria de casos como esses, preferem achar que os filhos fantasiam "pequenos agrados" dos adultos. Isso fez procurar ajuda na única forma que veio à sua mente, antecipar precocemente a maturidade e maioridade. O primeiro namorado, aos 16 anos, que compreendeu e se propôs a ajudá-la, saiu de casa e foi morar com o que hoje, é seu atual companheiro e marido. A compreensão e apoio do companheiro foram fundamentais para um novo ciclo em sua vida. Hoje, com a vida normalizada, frequenta uma igreja em que se prioriza os estudos com fé raciocinada, tem compaixão da mãe e não guarde mágoa ou ressentimento do passado recente.
A dor é mestre no aprendizado. É preciso que haja o atrito, sem o qual, não há impulso ou ascensão. É preciso superar as crises para que se possa crescer.
Jorge Angel Livraga, fundador da Escola de Filosofia Nova Acrópole,  apregoava que, para se atingir um novo ponto, preciso é que se deixe o antigo.


Publicado por LuizcomZ em 13/11/2018 às 14h49
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12/11/2018 00h19
O livro dos amigos e conhecidos - #1

Marta

Profissional de serviços gerais, uma maneira politicamente correto de se referir aos faxineiros nas empresas. A faxina e limpeza fica por sua conta. Cumpre dois horários para coincidir com o horário de maior movimento na área de atendimento. Como a vida lhe cobrou um preço alto no quesito família, foi por isso mesmo mais judiada no aspecto físico. Sua aparência denota mais idade que a fisiológica, certamente pelos dias vividos na contramão da normalidade. Separada do marido há 17 anos, justamente quando mais precisava dele, ficou com 10, dos 13 filhos, sendo que o mais velho contava com apenas 16 anos e o caçula com um ano apenas, se viu só e abandonada na difícil tarefa de criar e proteger uma família enorme. Hoje, Daniel mora e trabalha em Joinville. Dani, como é chamado, tem dos irmãos um profundo respeito e consideração pelo que fez para ajudar a mãe a criar os irmãos. Marta conta que, ainda de menor, já trabalhava como auxiliar numa construtora, ajudante de obras, e que certo dia o patrão veio até sua casa para saber porque o ajudante não havia ido ao trabalho, Marta, então, disse que o filho não iria trabalhar porque ela não tinha nada para fazer de almoço e que não deixaria o filho passar fome, e, menos ainda, desmaiar por falta de comida. Sabendo disso, o patrão proveu a situação antecipando a quinzena para que Marta pudesse abastecer sua dispensa. Todo o dinheiro que Dani recebia era dado para Marta. Para ele, separava apenas R$10,00, que se dava ao luxo de jogar vídeo game em uma locadora próximo à sua casa, e somente nos finais de semana. Dos 13 filhos, três morreram ainda bebês, criou todos com dedicação e os tem todos bem, sem envolvimento com drogas, justiça ou qualquer outra contravenção. Sempre teve a preocupação de saber o que estavam fazendo e com quem se relacionavam. Hoje tem uma vida atribulada como qualquer trabalhador e mãe, porém, tem a consciência tranquila, vive bem, está mais fortalecida e feliz. O filho mais velho, ainda solteiro, é uma benção para a família e motivo de alegria quando está com ela e os irmãos. Isso mostra que a vida é feita de escolhas, que a escolha certa, mesmo não sendo o caminho mais fácil, é o caminho reto, do compromisso com a missão que Deus espera à quem Ele destinou seus filhos para que nós,  como co-criadores e fiéis depositários de sua obra mais valiosa, sejamos cumpridores de mantê-los no caminho do bem e na evolução constante à morada do Pai.


Publicado por LuizcomZ em 12/11/2018 às 00h19
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31/10/2018 15h19
De Ponta Porã para o mar de Itapoá.

Maré e ressaca levaram nossa rampa.

 

Uma caminhada na praia em frente do Kyoski, e já se percebe o avanço das águas. Quem tomou o espaço de quem?

A Maré derrubou nossa Rampa Veja o vídeo

Quem chegou primeiro? O homem ou a natureza? Respondendo essa pergunta fica fácil entender o avanço das águas sobre o continente 

Quando eu nasci, no longínquo ano de 1958, a pequena cidade onde cresci os primeiros anos da infância, era um pontinho no mapa, bem menos que 5 ou 8 mil habitantes, isso é o que eu pensaria se alguém me perguntasse.

Av. Brasil - década de 1970 - Ponta Porã-MS

Na verdade a cidade de Ponta Porã, no antigo Estado de Mato Grosso, hoje, Mato Grosso do Sul, se resumia a pouco mais de 15 mil habitantes (há necessidade de comprovação), no entanto, no período entre 1943 a 1946, foi capital do extinto Território Federal de mesmo nome. Teve sua importância, portanto. Já eu, não tinha a noção de que a água que me serviu os primeiros goles do tereré, bebida que vem ser hoje o símbolo de seu perfil, um dos, há outros adjetivos, essa água, nunca suspeitei, seria uma mísera gota num oceano imenso que viria a conhecer mais tarde, e que hoje tenho como sendo o quintal de casa, literalmente.

Afinal, quanta água passou por baixo dessa ponte? Só sei que, se quando cheguei a este mundo, esse mundaréu de água já estava aqui, é certo que nós em Itapoá-SC, invadimos um espaço que não nos cabia. Veja o que vem acontecendo com Balneário Camboriú, Meia Praia, Itapema, para citar algumas. Queremos estar de frente para o mar, se possível dentro dele, cada vez mais nossos concretos tentam empurrá-lo para dentro de si, como se isso fosse possível. Quando acontece de suas águas invadirem nosso espaço, nos impacientamos e o maldizemos. Suas marolas, suas ondas, seu vai vem é cada vez mais, vem do que vai. Bom, se o homem soubesse que se fosse para vivermos n’água, teríamos nascidos com nadadeiras, e não pés. É melhor prestar atenção no nível, a cada ano ele sobe mais. Voltemos nossas vistas para o campo, a colônia pode ser a única saída em poucos anos. Exagero? Assim se pensava de tantas cidades e países que hoje estão abaixo do nível do mar.

Mas que é uma belezura de imensidão esse tar de mar, ah! isso é.


Publicado por LuizcomZ em 31/10/2018 às 15h19
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29/10/2018 07h03
Uma esperança!

Certamente este será um novo ciclo, o que há de vir só o tempo dirá, no entanto, sabemos que, ainda que pela incerteza do que possa vir e passe pela cabeça do novo comandante deste país, temos a certeza de que teremos a ignomínia e falsidade longe de nossas crianças e dos homens de bem que anseiam por dias melhores para o nosso Brasil.


Publicado por LuizcomZ em 29/10/2018 às 07h03
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