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                                CIÚMES

                                          Parte 7

A semana começa com novidades. Por volta das 00:30 da manhã de terça-feira, Edjiane é acorda pelo toque insistente do celular. Titubeando, desliza a mão pelo colchão, criado-mudo até encontrar o aparelho e com dificuldade comprimindo a vista, não consegue precisar quem ligaria àquela hora.
- Alô? Quem? Huumm... Calma, quem tá falando?
Ah! Oi, menina! O que aconteceu? Porque esse choro?
Uma das colegas que trabalha com ela na Secretaria sempre apresentou um comportamento delicado quando a conversa seguia em direção à relacionamento, viver a dois, casamento.
Havia um indicio muito forte de que o marido à maltratava e também à filha de pouco mais de 2 anos.
Acontecia as vezes dela chegar com escoriações pelos braços e apesar de bem maquiada, o rosto por vezes demonstrava a habilidade cruel e covarde do marido.
Porque será que homens que batem em mulheres insistem em bater logo no olho?
Dá um trabalhão danado para disfarçar essas marcas e nunca fica bom o suficiente para evitar as perguntas indiscretas dos colegas e dos familiares.
Ao chegar no endereço indicado pela colega, de quem é chefe no setor em que atua, deparou com uma cena peculiar e dolorosamente conhecida. Há pouco menos de 4 anos, havia vivido exatamente a mesma situação.
A imagem da colega no portão àquela hora, com um filho no colo e uma mala no chão, chorando copiosamente, marcada pela brutalidade do companheiro, passou um filme em sua mente.
Tirando o fato do espancamento, ela própria numa noite de indisfarçável contragosto, e para evitar o pior, tomou nos braços o filho e saiu da própria casa.
Antes, recorda-se, disse ao ex-marido:
- Estou saindo de casa. Não estou abandonando o meu lar com o meu filho. Amanhã volto para minha casa e você procure outro lugar para morar.
Foi para o portão, transtornada e sem rumo, sem carro, apenas com a mochila de roupas do menino e caminhando a passos perdidos entrou na casa de uma amiga que mora no mesmo bairro. Tão logo a amiga entrou no carro chorando a primeira pergunta que fez foi:
- Você quer denunciar? Quer que a leve ao IML?
Após a negativa, como na imensa maioria das vezes em casos como esses, levou-a para sua casa e após tentativas frustradas de tentar entender direito o que de fato aconteceu, o dia já se apresentava através dos variados sons dos primeiros pássaros em busca de pequenos insetos ainda atordoados pelos primeiros raios de sol.
É a vida seguindo seu caminho.
Ocorre-me uma canção de Gil.

Drão, os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus.
Deus sabe a minha confissão, não há o que perdoar
por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
quem poderá fazer aquele amor morrer
Se o amor é como um grão!
Morre, nasce trigo, vive, morre pão


Atentar para a última frase da letra,
alguém precisa sempre sair para dar
lugar a outra vida, outra história,
um novo começo. 


continua...
LuizcomZ
Enviado por LuizcomZ em 28/08/2010
Alterado em 26/09/2010


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