Textos


Na medida em que soubermos, nas despedidas, qual delas terá sido a última, certamente seríamos mais atenciosos e menos formal ou desatento.

E não me refiro a viagens, transferências, ou qualquer motivo que nos afaste temporariamente uns dos outros. Basta uma simples visita ao vizinho ao lado.

O que mais se vê, e provavelmente por estarmos sempre no automático, são despedidas como se tudo está certo e ajustado para aquele que seria apenas mais um dia em nossas vidas.

Bem sei que estar atento a esse sentimento de compreensão do valor de cada momento e a cada um daqueles que são de nossa estima, é um tanto negligenciado por uma grande maioria, no entanto, quando se percebe a falta, tão logo no momento seguinte, se nos deparamos com uma realidade fria e irrecuperável, algo que de estalo nos leva a recordar detalhes minuciosos do último encontro, das últimas palavras, dos gestos e uma onda de sentimentos nos invade como que querendo saber de nós, porque não fomos mais atentos, menos displicentes, porque não nos demoramos mais um pouco admirando, ouvindo, sentindo.

Não sabemos nada do amanhã, e ainda que soubéssemos, nada poderíamos fazer, cada um viverá sua vida por suas escolhas, seu livre arbítrio, e como todos, nós seremos igualmente a causa de tais sentimentos.

Somos todo, somos um.

LuizcomZ
Enviado por LuizcomZ em 17/07/2023
Alterado em 19/07/2023


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